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19 de setembro de 2009

Bioinformatics can be that cool

Ainda não aprendi a fazer todas as análises de bioinformática como eu queria, leia-se da forma mais prática, mas estou voltando as boas com a área. É muito bonito depois do trabalhão que dá chegar até um simples arquivo FASTA, ver que aquela simples sequência de nucleotídeos codifica uma proteína interessante, tem um domínio altamente conservado (como na foto abaixo) e vai ajudar a entender um pouco mais sobre o organismo que estudamos.

Domínio FRED (NCBI)

A quantidade de informação que podemos extrair de uma sequência de DNA ou proteína usando ferramentas de bioinformática e graças a internet (a 8ª maravilha do mundo) é absurda! Dois exemplos:

O NCBI tem um banco de dados de domínios conservados onde é possível buscar na sequência de uma dada proteína a existência de algum domínio conservado. Em se tratando de uma sequência de nucleotídeos, basta traduzi-la usando por exemplo a ferramenta de tradução do expasy  ou mesmo o Bioedit. Mas existem 6 possíveis traduções: 3 frames em dois sentidos. Se biblioteca de cDNA é direcional (as sequencias foram clonadas no sentido 5'3'), 3 possibilidades já podem ser eliminadas, pois conhecemos o sentido da sequencia. Entre as 3 possibilidades remanescentes, a mais provável é aquela sem um STOP codon, ou com um maior trecho sem STOP codon, mas na dúvida, não custa nada testar as três.

Como resultado, tem-se um relatório detalhado dos possíveis domínios conservados presentes na proteína. Além de informações como o valor e o score para avaliar a relevância da similaridade encontrada, é exibido um esquema indicando onde na sua sequencia está o domínio, o alinhamento de maior similaridade com um dos membros deste grupo de domínios, além de um link para a página do mesmo com várias outras informações interessantes, como estutura tridimensional, uma descrição funcional e citações na literatura. Para ver um exemplo, veja a página do domínio FRED, que achei em um dos meus clones. Muito maneiro.

Ainda vou ficar devendo um post dedicado ao Blast2GO. Eu sou fã do Blast2GO! É realmente user-friendly. Agora eles estão no twitter, pena que eu não estou mais neste miniblog irritante. Mas a segunda ferramenta interessante e que só fui usar recentemente via Blast2GO é o banco de dados Kegg Pathways que agrupa vias de reações e interações moleculares anotadas manualmente. O BlastGO identifica o código Kegg das enzimas presentes entre as sequencias anotadas e com isso é possível baixar os mapas das vias de referência das quais a enzima participa. Muito, muito maneiro também.

Update 20/09/2009:
O banco de dados de proteínas do NCBI oferece vários formatos para acessar uma dada proteína, um deles é chamado de "graphics" e é praticamente o google earth das proteínas. Mas muito mais interativo, você pode passear pelas ruas que quiser, abrir e fechar portas, olhar pela fechadura, etc, uma realidade bioquímica virtual!  


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12 de junho de 2009

EST sequence analysis: e agora?

Um projeto de transcriptoma começa tradicionalmente com a geração de bibliotecas de cDNA, como já discuti extensivamente por aqui. Agora que superei esta etapa, começa o que para mim é um desafio um pouco maior: a análise das seqüências obtidas. Um desafio por que (1) eu nunca fiz isso antes (2) por que por mais que se leia livros, artigos e tutoriais dos softwares, isso só se aprende mesmo com a prática e (3) por que são centenas de sequencias e por tanto uma grande quantidade de dados são gerados. Este último fator é um "problema" crescente na biologia. Com técnicas cada vez mais modernas e rápidas, uma grande quantidade de dados tem sido gerada e para lidar com eles, ou seja, para extrair informação deles, somente os bioinformatas podem nos ajudar! E de fato, o tem feito. Tanto, que uma das minhas dificuldades tem sido: que programa usar? E a resposta esta geralmente associada a "free download", uma vez que os bioinformatas sabem valorizar bem seu trabalho. No entanto, não é fácil para os "não-bioinformatas" aprenderem a usar os vários softwares de que precisam de forma crítica, entendendo de fato o que estão fazendo, o que significa cada parâmetro dentro do processo em questão e não apenas reproduzindo uma série de comandos pré-estabelecidos por alguém.

Embora eu não tenha experiência com isso, sempre tive interesse e se aparecer qualquer curso , disciplina ou conversa fiada sobre o assunto, eu estou dentro! No entanto, estou conformada com a idéia de que vou ter que ser um pouco autodidata para aprender tudo isso, como muitas vezes temos que ser na vida acadêmica, o que não é realmente um problema. Assim, após um jejum de posts, resolvi escrever este, mais uma vez, para me ajudar a ordernar minhas idéias.

Bom, os dados que eu tenho em mãos são um grupo de sequências obtidas de clones selecionados aleatoriamente das bibliotecas de cDNA. Estas sequencias foram obtidas através de reações de sequenciamento a partir de amostras de DNA plasmidial usando um primer universal específico para o plasmidio no qual as bibliotecas foram construídas. E como resultado, tem-se um grupo de (na ordem de centenas) sequencias de nucleotídeos e os respectivos cromatogramas, mostrando o sinal para cada base.

Como saber o que estas sequencias significam? Que genes codificam? Em que processos estão envolvidos? Todas as sequências são de genes diferentes? Existem sequencias de regiões diferentes de um mesmo gene? Qual a redundância das sequências? Qual padrão de códons usado pelo organismo? É possível identificar microsatélites, SNPs ou outros polimorfismos?


Todas estas perguntas somente podem ser respondidas através de ferramentas computacionais! E, por isso, ao invés de ter medo desses programas, temos mais é que agradecer que eles existem! E com isso em mente, respirar fundo e aprender a usá-los, pois eles estão aí para nos ajudar.

No próximo post, vou descrever as principais etapas do processo de análise e identificação de EST (Expressed Sequence Tags) geradas a partir de bibliotecas de cDNA. Até lá!